Aprenda a escolher e preparar um bom café

Coado ou espresso? Curto ou longo? Um carioca para hoje. Ou quem sabe um ristretto. Talvez um pingado. Mas há quem prefira um duplo. Espresso brasileiro é bem diferente do italiano. Aqui, enchemos a xícara com 40 a 50 ml da bebida. Lá na terra da pasta, ele sai da máquina com cerca de 20 a 25 ml da xícara preenchida. Em Roma, eles sabem preparar um bom café. No melhor estilo italiano, é claro. Um agitadíssimo endereço bem em frente à Stazione Termini de trem traduz o hábito local. Um espresso forte e tão curto que não chega a um dedo. Um gole que mais parece uma tinta torna o giro do balcão o mais rápido do mundo.

Preparar um bom café demanda um bom grão, seguido por um bom processo de torra e moagem
Preparar um bom café demanda um bom grão, seguido por uma boa torra e moagem

Para os verdadeiros apreciadores do café, o santo líquido que mantém acordado, dá energia e também é termogênico, degustar diferentes métodos de preparo é como escolher um brinquedo no parque de diversões. Haverá um preferido, mas cada um trará uma sensação diferente. Todos valem a pena. Só não pode ser ‘chafé’.

Item de necessidade básica do brasileiro, o café faz parte da cultura e da economia do país. Afinal, somos o maior produtor e exportador mundial. Os grãos vêm, principalmente, de Minas Gerais, o estado que mais produz, e também do Espírito Santo, da Bahia, do interior de São Paulo e, por último, do Paraná. Como consumidor, o Brasil ocupa a vice-liderança, atrás apenas dos Estados Unidos. No quesito xícaras bebidas por dia, estamos na quinta posição do ranking global, com 2,2.

Embora o cheiro do café faça parte da memória olfativa de boa parte da população, a verdade é que durante décadas o brasileiro tomou café ruim. Com defeito, verde, com restos de folhas secas, galho, mato e, muitas vezes, torrado excessivamente para disfarçar as imperfeições. “O café em pó commodity é o que tem mais defeitos, a exemplo do sabor amargo ou azedo e dos grãos brocados. Se for café especial ou gourmet, a qualidade sobe”, explica o barista Arthur Moscofian, fundador da Café Santa Monica.

Localizada em Machado, no Sul de Minas Gerais, ela produz seus cafés gourmet a partir dos grãos cultivados nos 106 hectares da fazenda de café 100% arábica. Sua marca vem crescendo dois dígitos consistentemente nos últimos anos. Nem mesmo a crise vai frear esse avanço em 2017. A busca do brasileiro por cafés melhores explica esses números. “O café gourmet é o topo dos cafés especiais, por conta do seu sabor mais doce, menos azedo e amargo, que fica mais tempo na boca e tem mais corpo (ou seja, preenche toda boca com sabor de café)”, ensina o barista.

O caso da Café Santa Monica é uma amostra da era da valorização do grão, da moagem, da torra e da forma como a bebida é extraída. Vivemos em meio a uma profusão de marcas de cafés especiais e de cafeterias.

Café do Ponto investe em safras e blends especiais

O café coado, também chamado de filtrado, é e sempre foi uma preferência nacional. A categoria Torrado & Moído representa 95% do volume total de vendas no país e está presente em 83% dos lares, como lembra Ricardo Chueiri de Souza, diretor de marketing da JDE, detentora do Café do Ponto.

A marca criada nos anos 50 está investindo em novos blends como o Safra Especial, mais encorpado e de sabor intenso. Como diz o nome, ele é produzido com o melhor da safra de cada ano. Uma aposta para atender o consumidor atual.

Já o espresso tem ganhado espaço em restaurantes, hotéis, bares, empresas e, inclusive, na residência do consumidor por conta do conceito de máquinas e cápsulas. O pontapé inicial foi dado com a Nespresso, a mãe da monodose.

Nespresso e seus vários “grand crus”

A invenção suíça trouxe mais perfeição na extração da bebida que, diante do boom nas vendas de cápsulas, prepara aquele cafezinho na quantidade, temperatura e pressão exatas. O resultado é uma bebida tecnicamente correta.

Essa garantia de um café sem erro, no entanto, não torna a versão coada inferior. Pelo contrário, vivemos a era da valorização da bebida feita da maneira tradicional. Além das cafeterias que levam o coador para a mesa, há marcas como a Café Santa Monica que lançaram um produto inédito no Brasil.

Batizado de Drip Coffee, que a empresa traduz para café de bolso, ele traz praticidade ao consumidor por ser embalado individualmente e pela possibilidade de carregar uma dose para onde quer que se vá. O kit, como pode se ver na foto abaixo, é composto por um sachê de café em pó com hastes flexíveis que se encaixam nas bordas de copos ou xícaras para permitir que a pessoa prepare um café coado na hora.

Dripp Coffee, da Santa Monica: para levar no bolso e coar individualmente

UM SALTO NA QUALIDADE DO CAFÉ

“O brasileiro está tendo cada vez mais acesso aos cafés especiais. Isso se comprova com o crescimento de cafeterias especializadas nesse tipo de bebida, com o aparecimento de novos cafés especiais no mercado e surgimento de diferentes métodos de preparo. Tudo isso facilita a descoberta e apreciação cada vez mais dos cafés especiais, tanto fora quanto dentro de casa”, observa Vivi Fonseca, coffee master (especialista em café) da rede americana Starbucks.

Um dos grãos vendidos pela Starbucks no Brasil, que pode ser moído na loja na hora

Ela trabalha na empresa desde o início de sua operação no Brasil, há 10 anos. Após uma década inteira de estudos e degustações, ela afirma que o país tem cafés excelentes. O que ocorre, no entanto, é que diante da super oferta de grãos pelo país – da cafeteria ao supermercado -, escolher um bom café tornou-se uma tarefa desafiadora para os menos entendidos.

Conversamos com especialistas e explicamos abaixo o que observar na hora de comprar café. Para começar, são vários os fatores que influenciam o sabor final da bebida. Uma dica para encontrar versões com sabor agradável é partir para os cafés da espécie arábica (procure por essa especificação na embalagem), que possuem aromas e sabores mais refinados.

Qualidade do café brasileiro tem avançado nos últimos anos

Outra dica importante para preparar um bom café é certificar-se que o pó esteja fresco. Ou seja, que o pacote foi aberto recentemente e estava guardado corretamente. “O melhor é guardar o café na própria embalagem, mais fechada possível, longe da luz, do calor, do oxigênio e da umidade”, ensina Vivi.

PASSOS PARA PREPARAR UM BOM CAFÉ

Para preparar um bom café, ensina a especialista Vivi, é preciso seguir 4 fundamentos:

Proporção: de café moído para água. Na Starbucks, recomendamos utilizar 10g de café moído para cada 100ml de água, no caso do preparo do café filtrado; para a prensa francesa, recomendamos 10g de café para cada 180ml de água.

Moagem: a moagem do café deve ser específica para cada método de preparo. O que determina é o tempo de infusão, ou seja, o tempo de contato do café com a água (quanto menor o tempo de infusão mais fina a moagem).

Água: utilizar água limpa, pura e mineral a uma temperatura de 90° a 96°C (logo antes de ferver).

Frescor: utilizar o café sempre fresco e, sempre que possível, moer na hora do preparo. Certifique-se de guardar o café na própria embalagem, mais fechada possível, longe de seus inimigos como a luz, o calor, o oxigênio e a umidade.

BLENDS E DIFERENTES REGIÕES

Vivi Fonseca, coffee master da Starbucks Brasil
Vivi Fonseca, coffee master da Starbucks Brasil

Buscar descobrir como trabalham as diferentes marcas também ajuda no processo de escolha do café. A Starbucks, por exemplo, investe na qualidade do café em todos os aspectos – desde o cultivo até o preparo da bebida para o cliente. A marca tem hoje cafés de várias regiões, diferentes perfis de torra e métodos para preparar um bom café.

“Costumamos realizar degustações de café para clientes nas nossas lojas, com o objetivo de compartilhar conhecimento e experiência. Isso faz com que eles conheçam e degustem nossos cafés para encontrar o perfil de sabor que mais gostem”, conta Vivi.

A Starbucks possui uma linha de diversos cafés e blends no mundo todo, criados pela equipe de experts situada na sede em Seattle, nos Estados Unidos. Cada mercado costuma ter uma linha de cafés específicos, de acordo com a cultura e paladar da região. Isso inclui ainda o lançamento de cafés sazonais, à venda por um tempo limitado.

Para produzir seus blends, Vivi conta que a Starbucks procura pelas melhores regiões de cultivo no mundo e oferece orientações e acompanhamento de práticas para um café de qualidade, de forma sustentável. Isso inclui ainda um pagamento justo aos produtores.

Já a suíça Nespresso, hoje presente em 67 países incluindo o Brasil, garante usar os grãos de mais alta qualidade, o que torna apenas de 1% a 2% de toda produção mundial de café apta a tornar-se matéria-prima da marca. Hoje, a grife das cápsulas oferece 24 blends de diferentes países produtores, além dos cafés de Edição Limitada, lançados periodicamente.

Seus cafés são armazenados em cápsulas de alumínio 100% recicláveis, o que garante a preservação de todos os aromas e sabores da bebida, como se o grão fosse torrado e moído na hora da extração. O espresso correto a um aperto de botão.

Para ler mais sobre lifestyle, visite Prazerices.

 

 

1 comentário Adicione o seu

  1. Arthur moscifian disse:

    Gostei do Drip Coffee
    Acompanha a qualquer lugar

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