Viena, a doce sinfonia europeia

De Redação Mahogany
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Viena, a capital da Áustria, é música para os ouvidos, pintura para os olhos e nobreza para a alma. De uma elegância incomparável e cultura singular, a cidade transporta o visitante a uma espécie de viagem pela música erudita, por magníficos palácios, por irresistíveis cafés e confeitarias e até mesmo pelo antigo consultório e residência do pai da psicanálise Sigmund Freud.

Com uma população de 1,6 milhão de habitantes – um pouco maior que a cidade de Campinas (SP) -, ruas impecavelmente limpas e seguras e construções históricas muito bem conservadas, Viena transborda cultura. Também pudera. A cidade é um dos berços da música erudita. Foi lá que nasceram (ou viveram) grandes compositores como Franz Schubert, Johann Strauss, Wolfgang Amadeus Mozart, Franz Joseph Haydn, Ludwig van Beethoven e Johannes Brahms.

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Impossível falar de Viena sem pensar na mítica Imperatriz Sissi e em sua magnífica residência, o deslumbrante Palácio Schönbrunn. Enfim, um destino vital para viajantes apaixonados por história, cultura e gastronomia. Toda essa atmosfera ainda pode ser desfrutada nos inúmeros e aromáticos cafés-confeitarias (como a acima) ou nos Heurigen (típicas tabernas austríacas), que proporcionam à cidade sua fama mundial.

Visitamos Viena no inverno e nos encantamos. Abaixo, sugerimos alguns dos passeios obrigatórios para vivenciar um pouco a cidade:

PALÁCIO BELVEDERE

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Considerado um dos edifícios barrocos mais bonitos do mundo, o Palácio Belvedere é elegante, encantador, tem um jardim obrigatório para se visitar e um acervo que é um presente para os apaixonados por arte. É na parte chamada de Belvedere Superior que fica a Galeria Austríaca – responsável por reunir a arte austríaca dos séculos 19 e 20,  além de obras internacionais.
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É lá que o visitante se deparará com a maior coleção de obras de Gustav Klimt, mundialmente conhecido por sua obra O beijo (imagem acima). Ou Der Kuss, em alemão, baseado em si mesmo e em sua amante Emilie, a mulher fatal  no auge do período dourado. Vimos a obra ao vivo e em cores e ela impressiona primeiro pelo seu tamanho (enorme) e pelo dourado reluzente. Belíssima. Vale a pena ir até o Belvedere só para apreciá-la, embora o palácio tenha muitos outros atrativos, a começar por sua arquitetura.

Dentre as muitas da Galeria Austríaca, vale aproveitar também e conhecer o trabalho de outros grandes artistas daquele país, a exemplo de Egon Schiele (1890-1918), pintor ligado ao movimento expressionista. Ter nascido em uma família humilde não blindou seu talento do resto do mundo. Ele revolucionou a forma como era vista a pintura figurativa.

Outro destaque do acervo do museu é a pintura de Oskar Kokoschka (1886-1980), outro importante pintor expressionista e também escritor austríaco. Vá com tempo para ainda visitar o Museu do Barroco e o Museu de Arte Medieval, que ficam no Belvedere Superior.

Uma dica: prepare-se para admirar o lindo jardim do Belvedere. E, claro, fotografar cada detalhe. Mesmo no gélido inverno, ele é tomado de uma beleza singular. Imperdível, embora um pouco melancólica. Mas, ao final, divertida. O pessoal do palácio monta sempre um boneco de neve gigante e o caracteriza.

PALÁCIO DE SCHONBRUNN

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Um sonho. Ou como muitos definem, a Versalhes da Áustria. Em estilo barroco, o magnífico Palácio de Schönbrunn e seus intermináveis jardins compõem a lista dos monumentos artístico-arquitetônicos mais importantes do patrimônio cultural da Áustria.

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Construído em 1713, Schönbrunn foi a residência de verão da casa imperial. Foi lá que o imperador Francisco José (governou de 1848 a 1916) nasceu e também passou seus últimos anos de sua vida. Vale contar que ele foi casado com Isabel da Baviera, depois Isabel da Áustria. Para o mundo, imperatriz Sissi (acima).

Macérrima e vaidosa (dizem que era anoréxica), seus 45 quilos distribuídos por 1,7 4 metro de altura e 1,80 metros de cabelo chamavam atenção por onde quer que ela passasse. No palácio e fora dele. E olha que, como todo palácio, Schönbrunn ou o Palácio de Sissi tem uma dose de conto de fadas. Acredite: ele tem 1141 quartos, mas só 40 podem ser visitados.

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Em 1918, o palácio que é Patrimônio Cultural da Humanidade, seu parque barroco de 1,6 quilômetros e o zoológico passaram a ser propriedade da Nova República. Dada sua relevância histórica, beleza e magnífica arquitetura, Schönbrunn é parada obrigatória para os visitantes. Se tiver apenas um dia em Viena, recomendamos que invista cada segundo no Schönbrunn. Se for no inverno, antes das festas de fim de ano, prepare-se para visitar, após o passeio, o imperdível mercado de Natal, com muito glühwein (vinho quente), pães de mel, salsichões e souvenirs encantadores.

Uma dica: embora o passeio pelo palácio seja longo (recomendamos que você passe o dia por lá),  por mais cansado que possa estar, não deixe de subir rumo ao mirante. A vista de lá é deslumbrante e inesquecível. Se for na primavera ou verão, aproveite ainda para se perder pelo Labirinto Clássico e o Labirinto Novo, dois jardins imperdíveis. A não ser que sua visita ocorra no inverno, quando ele permanece fechado.

AO SOM DE MOZART

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Schönbrunnn também foi palco para Mozart, o gênio da música que lá se apresentava para os imperadores. Vale contar que, além do elegante som, a dança ganhava os salões do palácio. A valsa é uma das maiores tradições da Áustria.

VIENA MOZART ORCHESTRA

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Ir à Áustria também é uma oportunidade de levar os ouvidos ao berço da música erudita. Que tal assistir a um concerto à moda de Mozart em Viena? Programe-se para escutar os 30 excelentes músicos da Orquestra Mozart de Viena, sob a direção de reconhecidos maestros e com a participação de dois cantores de ópera de prestígio internacional, todos com trajes e perucas do período barroco.

Eles recriam o passado nas salas de concertos mais célebres de Viena – Sala Dourada do Musikverein, Sala Magna do Konzerthaus e a Ópera do Estado. Uma experiência única.

A IMPERDÍVEL CONFEITARIA VIENENSE

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Conhecida no mundo todo, a sacher-torte (acima) é um dos bolos mais famosos do mundo. Foi criado quando o príncipe Metternich, à espera de convidados do alto escalão para um jantar, ordenou à cozinha com o chef doente: “Certifiquem-se de que eu não passarei vergonha essa noite”.

A tarefa caiu nas mãos do aprendiz de confeitaria Franz Sacher. Essa história, de fato, aconteceu em 1832. Até 1962, vale contar, apenas o bolo produzido pelo Hotel Sacher era legalmente reconhecido como “original”. Desde 1999, o doce vienense passou a ser produzido em uma instalação separada do resto da cozinha do hotel. Quase todas as etapas do processo são realizadas à mão, assim como no passado.

A sacher-torte original é feita em 34 etapas, da quebra do primeiro ovo à embalagem. Cada etapa inclui um rígido controle de qualidade e o uso de ingredientes austríacos, como a manteiga, o açúcar granulado, a farinha e os ovos conservados em temperatura ambiente”. Quando estiver em Viena, siga até o hotel e peça uma fatia do bolo recheado com geleia de damasco e coberto por chocolate. O ícone da confeitaria local.

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Viena é não só a capital da Áustria. Ela é também a capital da confeitaria do país. São várias casas – muitas delas centenárias e imperdíveis. Pela história e qualidade, não deixe de visitar a Demel, que oficialmente se chama K.U.K. Hofzuckerbäcker Demel.

A casa de 1786 é lendária e aromática e, como bem diz a sigla K.u.K. (de Kaiserlich und Königlich), carrega consigo o título de Imperial e Real. Ou seja, a confeitaria foi certificada há décadas para atender o Palácio de Schönbrunn, o lugar onde viveu a Imperatriz Sissi. Dentre as muitas sobremesas da casa, não deixe de experimentar a famosa torta de maçã – lá chamada de apfelstrudel (foto acima). Tem também de cereja, se preferir. Com café, torna-se o mais delicioso dos programas.

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