Yes, o Brasil é patrimônio cultural da humanidade

De Redação Mahogany
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Uma das histórias mais fabulosas do passado – e também dos tempos modernos – refere-se às “7 maravilhas do mundo”. Dos Jardins Suspensos da Babilônia, construídos por Nabucodonosor II no século VI a.C. para presentear uma de suas esposas, ao surpreendente Coliseu de Roma, uma das maiores e mais engenhosas construções do Império Romano, o mundo guarda tantos segredos que uma vida inteira seria insuficiente para conhecer todas essas maravilhas.

Mítico e com localização incerta, o conjunto que resultou nos Jardins Suspensos da Babilônia não pode mais ser visitado. Já o Coliseu, palco de lutas de gladiadores, está aberto a quem se interessar e vale um dia inteiro de visita, o que inclui o impressionante resquício do Fórum Romano.

No entanto, não é necessário viajar pelo Velho Mundo em busca das belezas que acariciam os olhos e encantam a alma. O Brasil, embora seja um país jovem, é tão cheio de riquezas e histórias que a própria UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) foi obrigada a reconhecer.

Do alto de seus 517 anos, o Brasil integra a lista dos lugares mais interessantes e com alto valor histórico do mundo. Atualmente, o país concentra 20 sítios considerados Patrimônio Mundial – sendo 13 históricos e culturais e 7 naturais, o maior em volume de toda América Latina. Ou seja, o Brasil passa a contar com 13 bens culturais tombados pela entidade na lista de 1.031 sítios reconhecidos.

Conheça todos abaixo:

1) Centro Histórico de Salvador (Bahia)

A primeira capital do Brasil foi, por muito tempo, uma das mais importantes cidades do Novo Mundo. Até boa parte do século 18, era maior que qualquer cidade dos Estados Unidos. O núcleo histórico da cidade é tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade. O motivo é simples. Salvador ainda guarda muito do que foi nos séculos 17 e 18, principalmente as igrejas. Tem o Pelourinho, claro, e tem também o Elevador Lacerda que domina a paisagem do Centro Histórico e é famoso desde sua inauguração, em 1873, quando ficou conhecido como maior elevador público do mundo (com 63 metros).

 

2) Ruínas de São Miguel das Missões (Rio Grande do Sul)

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São Miguel das Missões é um dos conjuntos de arqueologia histórica mais importantes do Brasil. Evidência material da civilização resultante do convívio do jesuíta europeu com o indígena datam do início do século XVII, época da fundação dos Sete Povos e da criação do povo de São Miguel. A riqueza deste passado refletido na monumentalidade das Ruínas da Igreja de São Miguel foram declaradas pela Unesco como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

3) Centro Histórico de Diamantina (Minas Gerais)

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A cidade mineira, tão perfeitamente integrada à paisagem severa e grandiosa, foi o maior centro de extração de diamantes do mundo no século XVIII e teve papel importante na ocupação do interior do país. É uma demonstração de como os aventureiros em busca de riqueza e os representantes da Coroa Portuguesa adaptaram os modelos europeus à realidade local, criando uma cultura original. O centro histórico foi tombado pela Unesco em 1999.

4) Centro Histórico de Ouro Preto (Minas Gerais)

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Foi o garimpo do ouro que transformou Ouro Preto no que ela é hoje. Implantada nas encostas de um estreito e sinuoso vale delimitado por duas cadeias de montanhas na região das chamadas Minas Gerais, no interior do Brasil, a cidade histórica ganhou a forma atual entre o final do século XVII e início do XVIII. Declarada Monumento Nacional em 1933 e tombada pelo Iphan em 1938 por seu conjunto arquitetônico e urbanístico, foi declarada pela Unesco como patrimônio mundial em 5 de setembro de 1980, sendo o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na Lista do Patrimônio Mundial.

Principal cidade do denominado Ciclo do Ouro, Ouro Preto, além de ter sido o berço de artistas, responsáveis pelas mais significativas obras do barroco brasileiro, foi também o cenário do movimento pela independência do Brasil em relação a Portugal, chamado de Inconfidência Mineira, cujo mártir, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, tornou-se o patrono cívico do país.

5) Pampulha, Belo Horizonte (Minas Gerais)

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Minas Gerais é o estado com a maior quantidade de bens culturais. Para o Iphan, o Conjunto da Pampulha está na origem da produção arquitetônica e urbanística do Brasil Moderno e deve ser compartilhado por toda a humanidade. A Pampulha, vale lembrar, conta com as quatro primeiras obras assinadas por Oscar Niemeyer, construídas entre 1942 e 1943, com jardins de Burle Marx, painéis de Candido Portinari e esculturas de Alfredo Ceschiatti e José Alves Pedrosa. Belíssima, a obra da Lagoa da Pampulha é composta pela Igreja São Francisco de Assis, o Cassino, a Casa do Baile e o Iate Clube.

 

6) Congonhas (Minas Gerais)

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De uma beleza ímpar, que chega até a ser comovente, Congonhas tem no santuário de Bom Jesus de Matosinhos, construído no século XVIII, uma das obras-primas do barroco mundial. Não por acaso, a cidade foi reconhecida pela Unesco em 1985, graças ao conjunto formado pela igreja, em estilo rococó, adro (área externa cerca pela igreja) e escadaria externa monumental decorada com estátuas de 12 profetas em pedra-sabão. Isso sem falar nas seis capelas, denominadas de Passos, ilustrando a via crucis de Jesus Cristo.

As 66 esculturas de madeira em tamanho natural, abrigadas nas capelas, compõem um dos maiores acervos de imagens sacras do mundo. As obras são de ninguém menos que Francisco Antônio Lisboa, o Aleijadinho. Um presente para os olhos e a alma.

7) Parque Nacional Serra da Capivara (Piauí)

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Fincado no Nordeste do Brasil, a Serra da Capivara, com seu Parque Nacional Serra da Capivara e os cerca de 400 sítios arqueológicos, preservam vestígios da mais remota presença do homem na América do Sul. Ao redor do parque, painéis de pinturas e gravuras rupestres de grande valor estético e arqueológico. Isso sem falar na preservação da caatinga. As descobertas realizadas no Sítio Arqueológico Boqueirão da Pedra Furada, por exemplo, levantaram a hipótese de que o homem poderia ter vivido lá há exatos 60 mil anos!

8) Centro Histórico de Goiás

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A cidade de Goiás é testemunha da ocupação e da colonização do Brasil Central nos séculos XVIII e XIX. As origens da cidade estão intimamente ligadas à história daqueles que partiram principalmente de São Paulo para explorar o interior do território brasileiro. O conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico do centro histórico de Goiás é tombado e recomendado mundialmente.

A cidade desenvolveu-se entre morros, ao longo do Rio Vermelho. A sua margem direita possui ocupação de caráter popular, onde se destacam as igrejas do Rosário, originalmente reservada aos escravos. Na sua margem esquerda encontram-se os edifícios oficiais mais representativos, como a Igreja Matriz de Santana (hoje Catedral), o Palácio do Governo (Conde dos Arcos), o Quartel do Vinte, a Casa de Fundição, a Casa de Câmara e Cadeia (hoje Museu das Bandeiras) e o Chafariz de Cauda.

9) Centro Histórico de Olinda, Pernambuco

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Vizinha a Recife, Olinda (PE), uma das mais antigas cidades brasileiras, foi o segundo destino nacional a ser declarado Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco, em 1982, após Ouro Preto (MG). Olinda se destaca pelos excepcionais exemplos de arquitetura religiosa dos séculos XVI e XVII, como o Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo, além do Convento de Nossa Senhora das Neves que integra o conjunto arquitetônico do Convento de São Francisco.

O centro histórico de Olinda abrange uma área de 1,2 quilômetro quadrado e cerca de 1.500 imóveis, os quais testemunham diferentes estilos arquitetônicos: edifícios coloniais do século XVI harmonizam-se às fachadas de azulejos dos séculos XVIII e XIX e às obras neoclássicas e ecléticas do início do século XX. O traçado urbano é característico dos povoados portugueses de origem medieval, com seu encanto intensificado pela paisagem e localização.

10) São Luís (Maranhão)

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São Luís, capital do estado do Maranhão, localizada na ilha de São Luís do Maranhão, na baía de São Marcos, e é a mais pura transcrição de uma típica cidade colonial portuguesa. Seu núcleo original foi fundado pelos franceses, em 1612. Essa, no entanto, não foi sua única influência. A cidade também foi dominada pelos holandeses. Felizmente, seu centro histórico conserva cerca de 4 mil imóveis dos séculos XVIII e XIX.

11) Praça São Francisco, em São Cristóvão (SE)

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A Praça de São Francisco, na cidade de São Cristóvão (SE), é um quadrilátero a céu aberto, cercado por construções antigas muito relevantes como a Igreja e o Convento de São Francisco, a Igreja e a Santa Casa de Misericórdia, o Palácio Provincial e edifícios associados de diferentes períodos históricos. Esse conjunto de monumentos, em conjunto com construções vizinhas datadas dos séculos XVIII e XIX, propicia uma paisagem urbana que reflete a história da cidade desde sua origem.

12) Rio de Janeiro e suas belas paisagens

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No século XVI, na Baía de Guanabara, os europeus fundaram São Sebastião do Rio de Janeiro. Ao longo de mais de quatro séculos, a cidade foi palco de eventos históricos, como a mudança da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, fato único no mundo. Estão incluídos monumentos como o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Floresta da Tijuca, o Aterro do Flamengo (foto acima), o Jardim Botânico e a praia de Copacabana.

13) Brasília (DF)

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A capital do Brasil é uma referência entre as cidades construídas no século 20. O conjunto urbanístico e arquitetônico, construído a partir do Plano Piloto de Lucio Costa, inaugurado em 1960, insere-se no projeto nacional de modernização do país do então presidente Juscelino Kubitschek. Destaque para a imponente Praça dos Três Poderes com os palácios do Planalto, Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional, todos projetados por Oscar Niemeyer.

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